Um buraco político
Um país na bancarrota, um governo em queda. Dezenas de bancos sem dinheiro. Milhares no desemprego. Dava um filme apocalíptico se não fosse tão grave. A Islândia está falida e ameaça partir ao meio nas próximas semanas com o fim do Governo de coligação. No fim-de-semana, o primeiro-ministro, Geir Haarde, abdicou do cargo depois de anunciar que tinha cancro. Ontem, foi a vez do ministro do Comércio sair, incapaz de lidar com a crise nacional a poucos meses das eleições. Em 2009, a economia deverá contrair quase 10%, depois dos três principais bancos terem fechado. O Fundo Monetário Internacional já injectou 2,1 mil milhões na economia, mas só isso não chega. Dois mil milhões são 33 mil dólares por pessoa, uma factura que será pesada para as próximas gerações. Para já, os bancos estão fechados e a krona islandesa – a divisa oficial – é uma moeda morta, em que ninguém confia. Há o risco do país, que é uma ilha no Atlântico e quase sem indústria, não ter dinheiro para importar produtos de primeira necessidade. No meio disto tudo há eleições. Talvez em Maio, talvez antes. A Islândia é o primeiro país do pós-crise a enfrentar uma campanha eleitoral. E promete mostrar como é difícil gerir promessas políticas quando a economia está um caos.
{Miguel Pacheco}
Artigo publicado no Diário das Beiras
