Como se pode ver no dia-a-dia, o governo nem sequer é já "um cadáver adiado que procria". De facto, para falar cruamente, "jaz morto e apodrece". Mas, por um conjunto de razões sortidas, vamos ter de estar fechados com o cadáver no mesmo quarto por um tempo indeterminado. O que, se não faz certamente bem à saúde - até porque a cabeça, como num filme de terror, continua, arrepiante, a falar -, nos dá pelo menos a oportunidade de, nos intervalos da aflição, reflectir um pouco sobre a questão essencial: como foi possível termos chegado a isto?