Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Não me lembro de Portugal, passado o período “revolucionário”, ter vivido tão controlado, tão manietado, tão inerme e tão desprezado como hoje. Tão com o rabo entre as pernas. Só a odisseia do Magalhães, desde a sua apresentação a criancinhas de fancaria até ao grotesco episódio do carnaval de Torres Vedras, passando pela cimeira ibero-americana, basta para um retrato perfeito do país em que neste momento vivemos. Não é preciso ter lido La Boétie para nos darmos conta da monstruosa multiplicação de tiranos, tiraninhos e tiranetes que se verifica por aí e da facilidade da servidão voluntária. Basta olhar à volta e ver como, ajudado pela situação económica, o medo das pessoas dizerem o que pensam cresceu de forma exponencial. E como cresceu igualmente uma sinistra e grosseira insensibilidade ao ridículo por parte de quem nos pastoreia, do “Allgarve” às “campanhas negras”. O medo (do despedimento, de tudo) e a insensibilidade ao ridículo andam de mãos dadas e fortalecem-se reciprocamente. O medo inibe, a insensibilidade ao ridículo agride. Quanto maior a inibição, maior a agressão. O episódio do carnaval de Torres Vedras é apenas um detalhe numa história que já vai longa. E algo me diz que coisas mais fantásticas estão para vir.
Vivemos numa época, em que os que têm o poder, seja a que nível for, não tem a preparação que deviam ter.
Com esse poder acham-se os donos do mundo, são ridículos mas fazem este país saltar.
Todos nos calamos, uns mais que outros. O medo instalou-se e o "engolir sapos" é o pão nosso de cada dia.
Mais liberdade para Falar e fazer sátira terá quem não tiver absolutamente nada a perder.
Sinto-me esfomeado e carente, mas livre como um pássaro para causticar com o ácido do que sofri, vi e aprendi a doer, Daniel!
Que bom poder ler-te por aqui. Abraço.
Ultraidentificado com o que escreves, Paulo! Bravo.
Assino por baixo
Muito bem.
.
Comentar post