É pena – eu até concordo com muito do que a Moody's hoje publicou sobre a economia portuguesa que, convenhamos, até nem é grande novidade. O problema é que a Moody's – e as outras duas irmãs, a Fitch e a S&P – não são o FMI, a Comissão Europeia ou o Dr. Medina Carreira. O seu papel não é de analista económico ou de comentador profissional. Goste-se ou não das suas análises, estas agências (que são empresas privadas) gozam de um poder significativo nos mercados financeiros e no custo de financiamento dos Estados soberanos – nos dias que correm o que dizem é lei, como se comprova pelo salto que deram hoje os credit default swaps sobre as dívidas grega e portuguesa.
Por isso mesmo se espera que as agências se limitem a fazer o seu trabalho, o que já não é fácil como se viu pelo estrondoso falhanço na pré-crise subprime ou nos casos da Enron e da Worldcom. E este trabalho não passa por recados ao governo português no Financial Times, nem por relatórios a la FMI, com comparações precipitadas com a Grécia.
{Bruno Faria Lopes}