Obrigado pelas explicações, Pedro. Quanto ao receio de uma derrota do casamento entre homossexuais num putativo referendo - e não me refiro agora directamente a ti, mas aos que, em geral, pediram que o aborto fosse sujeito a voto directo - basta olhar para as sondagens. A do Expresso, por exemplo, dá uma significativa vitória aos portugueses que se opõem (quase 50% contra 45,5%) - valores que crescem quando se fala da adopção por casais homossexuais (68,4% contra 21,8%). Dizes que para muitos se trata de uma "questão menor", mas eu não vejo onde estão esses "muitos". Quanto à democracia representativa, obviamente que acredito nela, mas a verdade é que o referendo foi criado exactamente para decidir questões como a do aborto ou dos casamentos entre homossexuais, que não passam necessariamente pelas diferenças partidárias ou ideológicas, mas são sobretudo questões de consciência.
Quanto aos conservadores-liberais, ou liberais-conservadores, dizes tratar-se de uma patranha ridícula, mas olha que existe muita matéria académica escrita sobre essa tal de patranha ridícula. Nem todos têm que ser liberais radicais e querer mudar tudo de um assentada sem olhar à cautela ou à tradição. Eu percebo que a tua colega de programa, a Clara Ferreira Alves, entenda que a direita deve ser toda assim, tal como disse no Eixo do Mal de ontem a que estive especialmente atento - mas ela, afinal de contas, parece que é de esquerda.