Sábado, 31 de Outubro de 2009

Leio apoiantes de Pedro Passos Coelho dizer que os "marcelistas" - os defensores da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa - fazem parte da direcção de Manuela Ferreira Leite que perdeu as eleições legislativas e são "restos" ou "sombras" do "cavaquismo" de que o PSD se tem de se livrar se quiser voltar a ser governo. Há até quem, nos blogues, cite de passagem uma sondagem do Correio da Manhã que dava o Presidente da República pela primeira vez impopular - mas, ainda assim, ganhando a todos os outros candidatos, de esquerda ou de direita, se as presidenciais fossem hoje.

 

Lembro que, apesar dos pesares, Belém é hoje o único centro de poder que não está nas mãos do PS de Sócrates: o parlamento não está hoje no bolso como antes das eleições mas o PS ainda lá detém a maioria relativa. Lembro ainda que os últimos anos em que o PSD foi realmente feliz - no poder executivo nacional - foi com os governos de Cavaco Silva, em que alguns dos apoiantes de peso de Passos Coelho participaram.

 

Interessa por isso saber - e perguntar - aos apoiantes de Pedro Passos Coelho - e a ele próprio - se têm ou não um candidato alternativo à Presidência da República que não seja Cavaco Silva. Qual é a relação que devem ter com Cavaco se vencerem as directas no PSD: de apoio às suas posições ou meramente casuística e institucional? Aqui também conta o entusiasmo com que responderem.

 

 

Adenda: Vejo que Paulo Gorjão, que julgo não ficar ofendido se eu dizer que é um assumido apoiante independente de Passos Coelho, escreve sobre o assunto no Delito de Opinião, a propósito de declarações de Alexandre Relvas no Expresso - não li ainda o que disse o presidente do Instituto Sá Carneiro porque hoje só comprei o i. Gorjão diz ser óbvio que Passos Coelho vai apoiar Cavaco reduzindo o assunto a uma não-questão. Mas acaba por se trair com uma frase sintomática: o "se não houver melhor alternativa" é fatal. A fragilização de Cavaco Silva já é um tema das próximas directas do PSD, introduzida aliás por apoiantes de Passos Coelho e pelo próprio na narrativa pós-eleitoral quando se referiu ao caso das escutas numa das entrevistas que deu.

 

 



Paulo Pinto Mascarenhas
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