Já se sabe que os próximos tempos, o mais tardar até Maio, vão ser de busca incessante de pequenas gafes no PSD, esquecendo muitas vezes a atenção que se deveria dar ao modo e à forma como está a ser constituído o novo governo Sócrates. O próprio PSD favorece esse desvio mediático ainda que concorde que algumas notícias sobre o partido são mais fabricadas que reais. Pacheco Pereira até pode ter razão nas críticas que faz ao jornalismo e ao comentário político dos dias que correm sobre o PSD, mas ele próprio, ao dizer que não tenciona falar aos jornalistas, ajuda a que a confusão noticiosa se instale.
É verdade que o episódio da candidatura de Aguiar-Branco à liderança da bancada parlamentar do PSD só é tratado por alguns jornais como fonte de intriga interna porque alguns sociais-democratas apostam nessa mesma intriga interna. Seria em princípio um processo normal em qualquer partido democrático: a lider do partido, sendo assumidamente a prazo, não quer que o novo chefe da bancada parlamentar apareça condicionado e que pareça também a prazo - e abre a porta a que outras candidaturas se apresentem. Igualmente normais são as declarações de Paulo Mota Pinto: "a presidente, drª Manuela Ferreira Leite, e a direcção do partido não escolheram nenhuma liderança para o Grupo Parlamentar do PSD". Manuela Ferreira Leite deu por tudo isto o seu "apoio pessoal" - e não político a Aguiar-Branco.
A verdade é que o PSD ainda mal acabou de perder as eleições e já entrou num processo electivo interno, com o aparecimento da candidatura de Pedro Passos Coelho - e com a grande maioria dos dirigentes e figuras históricas do partido a falarem do pós-Manuela Ferreira Leite. A instabilidade nasce do PSD - e os jornalistas limitam-se a transmitir essa realidade: o partido sai diminuido e com uma liderança enfraquecida, com um curto prazo de validade.
A hora deveria ser de preparar uma alternativa política e ideológica de centro-direita ao centro-esquerda do PS de Sócrates. Mas parece que o PSD irá continuar limitado à mesma intriga dos últimos quatro anos e meio.