Caracterizado por um discurso antipoder, avesso a qualquer entendimento com o PS de José Sócrates, o Bloco fez desse estatuto uma estratégia de crescimento eleitoral. Porém, o percurso esbarra no óbvio ululante: sendo por regra do contra, o Bloco não convence como solução de governo, seja nacional seja local. Foi isso mesmo que os portugueses disseram no domingo ao BE, a começar pelos grandes centros urbanos, onde o partido de Francisco Louçã costuma ter maior implantação: não elegeram qualquer vereador em Lisboa e no Porto. Reformulando a pergunta do livro de Cohen, que resta a estas esquerdas? Serem oposição.
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O Tiago Mota Saraiva diz que às esquerdas resta serem alternativa ao PS de Sócrates. O problema é precisamente esse: é que foi isso mesmo que o PCP e, sobretudo, o BE provaram não ser até agora - e daí a derrota nas autárquicas (ler também Zé Neves, numa perspectiva de esquerda).