O QUE IGREJA DIZ E O QUE NÃO DIZ SOBRE PRESERVATIVO
Presidente dos médicos católicos esclarece o debate
BARCELONA, quinta-feira, 19 de Março de 2009 (ZENIT.org).- Ao ler os jornais, dá a impressão de que a Igreja diz que, se uma pessoa vai ter relações com uma prostituta, não deve utilizar o preservativo, reconhece o presidente da associação dos médicos católicos do mundo.
José Maria Simón Castellví ilustra com este exemplo a superficialidade com que alguns meios de comunicação informaram sobre as palavras de Bento XVI nesta terça-feira, a bordo do avião que o levava a Camarões, quando esclareceu que o preservativo não é a solução para a SIDA.
«A Igreja defende a fidelidade, a abstinência e a monogamia como as melhores armas», indica o presidente da Federação Internacional de Médicos Católicos (FIAMC) em uma declaração concedida à Zenit.
Contudo, os media e inclusive alguns representantes políticos acusaram a Igreja de promover a SIDA na África. Obviamente, esclarece o médico, a Igreja não está a dizer que se pode manter todo tipo de relações sexuais promíscuas, desde que não se utilize o preservativo.
O Dr. Simón explica que, para entender o que a Igreja diz sobre o preservativo, é necessário compreender o que é o amor, como explicou o próprio Papa aos jornalistas, apesar de que essa parte de sua conversa foi censurada pela maior parte dos meios de comunicação.
«O preservativo é uma barreira, mas uma barreira com limites que muitas vezes falham. Especialmente em jovens pode ser contraproducente no que diz respeito à transmissão do vírus», acrescenta.
«Os médicos católicos estão a favor do conhecimento científico – declara. Não dizemos as coisas só por motivos ideológicos. Da mesma maneira que admitimos que um adultério de pensamento não transmite nenhum vírus mas é algo que está mal, temos de ddizer que os preservativos têm seus perigos. Barreiras limitadas.»
O médico ilustra a posição da Igreja usando um caso histórico, recolhido por meios informativos.
Em Yaoundé, em 1993, aconteceu a VII Reunião Internacional sobre a SIDA com especialistas médicos e de saúde. Foi uma reunião em que participaram cerca de 300 congressistas, e se distribuiu no final um questionário para que se indicasse, entre outras coisas, se se tinham tido relações sexuais durante os três dias que durou a reunião, com pessoas que não fossem parceiros estáveis.
Dos pesquisados, 28% responderam que sim, e destes, 30% disseram que não tinham tomado qualquer «precaução» para evitar contágios.
«Se isso ocorre entre pessoas ‘consciencializadas’, o que acontecerá com as as pessoas normais?», pergunta.
Fonte. zenit.org