DESCUBRA AS DIFERENÇAS
SEXTA-FEIRA, 30 de JULHO - 18H05
Domingo, 1 de Agosto – 19H05 (REDIFUSÃO)
Esta semana, antes da partida do programa para férias, em Agosto, André Abrantes Amaral e Antonieta Lopes da Costa convidam Helena Matos e Rui Ramos. Juntos, analisam alguns dos principais temas da actualidade:
- Freeport – O Ministério Público deduziu acusação apenas contra dois dos suspeitos do caso Freeport, deixando de fora personalidades ligadas ao poder político, não envolvendo José Sócrates nos factos. Será caso para dizer que a verdade vem sempre ao de cima?
- PT vs Telefonica – A Portugal Telecom e a Telefonica acordaram a venda da participação da empresa portuguesa na Brasicel que detém a brasileira Vivo. Até o interesse nacional tem um preço?
- Revisão Constitucional – O PSD aprovou as linhas orientadoras de uma futura revisão constitucional. No entanto, alguns entendem que esta fica aquém das expectativas, pecando por timidez. Terão razão?
- Salazar – 40 anos passados da sua morte, ainda há receio em aprofundar o que foi o Estado Novo e a personalidade do seu líder. Resultará esse receio do facto de ele ter conhecido a fundo a mentalidade portuguesa, explorando como trunfos as suas fraquezas?
"Estamos num Estado de direito". Pois estamos.
Freeport: Procuradores quiseram ouvir Sócrates mas não tiveram tempo
Parece-me que está tudo dito sobre o celebérrimo "Estado de Direito".
Vê-se o estado a que chegaram as assessorias socialistas quando celebram uma vantagem de Passos Coelho sobre Sócrates de 4 pontos percentuais. Como estamos na silly season, chamo também a atenção do "Magalhães" e dos restantes abrantes - já agora, dos amigos comentadeiros adjuntos e deputados da nação - para a vantagem de Sócrates neste momento na lista dos mais sexy pós-40 anos do Correio da Manhã. Estão a valer a pena os telefonemas da mailing list do regime.
Passo rapidamente pela blogosfera política e vejo os ânimos exaltados e os insultos a ferver. Pelo meio, os golden boys do primeiro-ministro no parlamento e nas assessorias anónimas atacam em força por causa do encerramento do processo Freeport. Leio alguns textos que um dia constarão de uma antologia do lambe-botismo português do início do séc. XXI. Parece-me, aliás, que o centro comercial de Alcochete deveria mudar de nome: FreeSócrates era mais ajustado à realidade nacional.
Até ao fim da primeira quinzena de Agosto este blogue irá estar, no máximo, intermitente. Como o país. Aconselha-se O Cachimbo de Magritte.
Via Lei Seca, que secou até Setembro, mas tudo indica que vêm aí novidades, depois da saída de Pedro Mexia da Cinemateca.
A entrevista a Manuel Alegre não foi publicada no Inimigo Público.
Mais pessoas livres, menos abrantes.
Não deixa de ser surpreendente - ou talvez não - a recente aliança Santana Lopes-José Sócrates contra a proposta de revisão constitucional do PSD. Les beaux esprits se rencontrent?
Cinco óptimos postes do Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada. Do primeiro ao quinto.
O primo avisou Sócrates que ia usar o seu nome no negócio do Freeport. O primo avisou, mas o Procurador-Geral da República apagou. Sim, sr. primeiro-ministro.
Ouvi há pouco no telejornal um senhor chamado Pedro Silva Pereira que parecia o vice-líder da oposição.
Ver aqui como irritar o BE.
Como se pode ver no dia-a-dia, o governo nem sequer é já "um cadáver adiado que procria". De facto, para falar cruamente, "jaz morto e apodrece". Mas, por um conjunto de razões sortidas, vamos ter de estar fechados com o cadáver no mesmo quarto por um tempo indeterminado. O que, se não faz certamente bem à saúde - até porque a cabeça, como num filme de terror, continua, arrepiante, a falar -, nos dá pelo menos a oportunidade de, nos intervalos da aflição, reflectir um pouco sobre a questão essencial: como foi possível termos chegado a isto?
É verdade que, como escreve Eduardo Nogueira Pinto, a proposta de revisão constitucional do PSD é pouco mais que um statement político. É certo e sabido que jamais será aprovada pelo PS - sobretudo um PS com um líder à beira de um ataque de nervos, disposto a tudo para se manter no poder, já em plena campanha eleitoral. Não sei é se esta proposta não teve um efeito contrário ao pretendido. É certo que Passos Coelho assume uma vez mais a iniciativa política, deixando o PS numa posição reactiva, como aliás é dito - e bem - pelo Paulo Marcelo. Mas as críticas que, por exemplo, se podem ler no Cachimbo (aqui e ali), são um sinal claro de que nem tudo está a correr bem nesta nova liderança social-democrata. A oposição interna tem também uma palavra a dizer, como se pode ver pelos comentários de Paulo Rangel.
A minha filha mais nova, de seis anos, diz que dois namorados de uma telenovela "parecem o Romeu e Julieta". Julguei que tivesse feito alguma confusão e pergunto-lhe porquê. Ninguém quer que eles namorem, estão todos contra eles, responde de imediato. Deus escreve direito por linhas tortas - ou será Shakespeare?
Armando Vara, o benemérito, foi metido numa lista concorrente para a administração do banco, com o objectivo salvífico de arrumar a casa dos desmandos que por lá estavam a ser feitos.
Tal como Sócrates, Valentim e João Loureiro também estão inocentes. É o Estado de Direito - quem? - a funcionar.
Ao ler este artigo sobre a revisão constitucional de Passos Coelho poderiamos pensar que já é o PSD que governa e o PS que se opõe. Sinal dos tempos, a iniciativa política já não é do governo, mas da oposição.
Roberto ainda não está bem, mas Jesus e os espíritos de Kardec estão connosco. Aleluia.

A ler blogues por aí, descubro um texto sobre alguém que tem o fétiche dos próprios pés. Nada a criticar, cada um tem os fétiches que prefere, ainda que se possa meditar - e até criar doutrina jurídica - sobre o direito à privacidade dos ditos. Pés.
Leio que Mourinho contratou um bruxo queniano para o ajudar no Real Madrid. É uma medida que deveria ser seguida pelos responsáveis políticos em Portugal. Há muito que José Sócrates já deveria ter ido ao bruxo.

Bom editorial do Carlos Madeira no i: "Durante décadas Portugal viveu na excitação do prazer europeu. A festa acabou. O país precisa de um novo ciclo político". Com mais ou menos excitações, todos - menos Sócrates, talvez - já perceberam que este ciclo político acabou.
Já se torna um bocadinho cómico - às vezes quase confrangedor - ler os blogues mais ou menos disfarçados ou anónimos pró-regime. Talvez quando houver umas Produções Fictícias sem ser de esquerda, quem sabe, poderemos assistir a momentos realmente humorísticos sobre o estado da nação de Sócrates - incluindo com destaque os blogues alinhados.